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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pesquisa diz que maioria de caminhoneiros envolvidos em acidente usava drogas


 Caminhoneiros que batem, tombam seus veículos ou atropelam pedestres nas estradas que conduzem a Minas Gerais guiam sem dormir, turbinados por estimulantes à base de anfetaminas. A proporção é o que indica pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais com condutores de veículos de carga nas Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas), em Contagem, na Grande BH. O trabalho inédito mostra que 50,9% dos condutores de cargas que se acidentaram fazia uso das drogas conhecidas como rebites, cuja importância no universo dos desastres nunca foi estudada a fundo. A estatística é ainda mais alarmante quando se leva em conta que praticamente um a cada dois acidentes em rodovias mineiras no ano passado teve envolvimento de carretas e caminhões, como mostrou a série “Homens-bomba ao volante”, publicada pelo Estado de Minas entre janeiro e fevereiro.Motoristas que tomam anfetaminas se tornam eufóricos, têm a capacidade de julgamento afetada e não dormem por horas a fio. O risco de causar um acidente quando seus reflexos falharem ou de dormirem quando o efeito do rebite passar é 95% maior do que o de quem não consome drogas. A proporção é resultado do cálculo de prevalência feito pela equipe de pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas, coordenada pelo professor e médico-perito Leandro Duarte de Carvalho. “Concluímos que o problema das anfetaminas nas estradas é tão grave quanto o do álcool nas ruas da cidade. E é algo de que o caminhoneiro dificilmente consegue escapar, na situação atual, com a pressão, o prazo de entrega, os prêmios, as comissões, tudo para apressá-lo”, considera o médico.A pesquisa foi feita com entrevistas entre 2008 e 2010 e será apresentada neste ano no 22º Congresso da Academia Internacional de Medicina Legal (IALM), em Istambul, na Turquia. Foram 216 entrevistados, dos quais 51,3% admitiram fazer uso de anfetaminas para dirigir. A CeasaMinas foi escolhida por concentrar motoristas de diversas as estradas do Brasil, que têm um prazo de entrega mais rígido, por transportar quase sempre produtos perecíveis. “É importante que não culpemos apenas os caminhoneiros, taxando-os de irresponsáveis. A condição de trabalho da categoria é muito ruim”, alerta Carvalho. “Numa certa perícia que fiz, o caminhoneiro acidentado disse ter dirigido por 17 horas direto. Não acreditei, porque é um esforço desumano. Solicitei os registros da empresa. Para minha surpresa, os dados confirmaram a alegação do motorista”, conta o médico.O que parecia caso isolado se mostrou quase uma regra depois da pesquisa. Dos entrevistados que consomem anfetaminas, 86,9% afirmaram conduzir o veículo por mais de 13 horas ininterruptas, sendo que 75,8% disseram dormir menos de cinco horas diárias. A frequência de utilização da droga também é alta: 57,1% dos entrevistados afirmaram usar os estimulantes pelo menos três vezes por semana. “Tomo rebite direto para rodar por três dias seguidos. Se não for assim, não dou conta. E é meu próprio patrão quem diz para não esquecer dele (do rebite)”, admite um caminhoneiro de Anápolis (Goiás) que roda 820 quilômetros até Minas para entregar 17 toneladas de abacaxi na CeasaMinas. A rotina já conduziu a acidentes. No último, o efeito do rebite passou e o caminhoneiro dormiu de repente, atingindo a traseira de uma carreta que seguia na frente. Assustado, acordou entre as ferragens retorcidas, sentindo dores lancinantes.A situação que envolve profissionais como ele é tão grave que somente um acordo que envolvesse sindicatos, empresas, fiscais das polícias rodoviárias, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e Departamentos de Estradas de Rodagem poderia resolvê-la, afirma o médico perito Leandro Carvalho. “Os sindicatos não deixam as empresas fiscalizar os caminhoneiros e fazer testes específicos para dosagens de substâncias. Muitas empresas também não se empenham, pois exigem muito dos caminhoneiros”, considera. Enquanto isso, a fiscalização é inócua. “Os bafômetros brasileiros não conseguem apontar quem usou drogas, uma vez que são desenhados para detectar a presença de álcool. Temos de mudar nossa mentalidade. As anfetaminas estão matando nas estradas e equipamentos de testes rápidos para essas substâncias são mais baratos que um etilômetro. Mas falta interesse para motivar uma fiscalização adequada destes condutores”, alerta o especialista.FONTE: Estado de Minas

terça-feira, 1 de maio de 2012

Cansaço é uma das principais causas de acidentes


“A regra é muito simples: se  der sono, encosto o veículo e durmo”: quem ensina é o experiente caminhoneiro Juarez Domingues Rosa, 43 anos, 23 deles rodados com segurança pelas rodovias do Brasil. O que ele diz parece básico, mas muitos motoristas ainda desconsideram essa regra. O cantor Pedro, filho do artista sertanejo Leonardo, sofreu um sério acidente automobilístico na madrugada do último dia 20 provavelmente causado por cansaço ao volante.
Com a experiência de quem já chegou a viajar por três dias seguidos para entregar uma carga que foi de Santa Catarina até o Espírito Santo, Juarez  diz que, assim que o corpo começa a sentir o cansaço, é hora de  parar para  recarregar as forças. 
E a regra não vale apenas para quem estiver dirigindo nas rodovias. Acidentes como o do cantor Pedro  podem envolver desde uma viagem familiar neste feriado prolongado até a saída de uma festa pelas ruas da cidade na madrugada. 

A Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) informa que até  60% dos acidentes de trânsito ocorrem por fadiga ou sono ao volante. O perigo da sonolência na direção fica claro em exemplos de nosso cotidiano. Alguém que está acordado há 19 horas (situação normal quando ficamos até de madrugada em festas) pode levar mais de um segundo para reagir aos estímulos. 
Se o veículo estiver a 50 km por hora, irá percorrer quase 14 metros antes do motorista pensar em colocar o pé no freio. 
Prudência
O professor Silvio Fernandes Junior, que publicou estudos sobre o tema em dois livros, explica que quem fica muitas horas sem dormir reduz os atos reflexivos.
“O ideal é termos uma noite de sono de no mínimo 7h30 e não ultrapassarmos o período de 19 horas acordado”, orienta o professor, que é bauruense e membro da Cemsa (Centro Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes). 
Mas ele ressalta que cada organismo reage de uma forma diferente, e diversos fatores interferem na intensidade do sonolência ao volante. Um deles é a qualidade do sono. 
Quem inverte os períodos de descanso – dormindo durante o dia e trabalhando na madrugada – está mais propenso a acidentes. “Isso inverte o ciclo natural de nosso relógio biológico e a qualidade do sono pode ser até 30% inferior ao do período normal”, explica Silvio.
Independentemente dos casos e fatores envolvidos, a orientação é a mesma que o caminhoneiro Juarez deu no início da reportagem: assim que sentir cansaço, o motorista deve agir.
Medidas paleativas como abrir a janela do carro e ligar o som do veículo podem ajudar a manter a pessoa em estado de alerta. Quando o motorista está há mais de duas horas no volante, a Abramet recomenda encostar o carro e praticar de dez a 15 minutos de exercícios.
Mas se o sono bate pesado, não tem jeito: é hora de trocar o volante pelo travesseiro, em prol da sua saúde e da dos outros motoristas. Bom descanso!
Filho de Leonardo continua no hospital 
O cantor de música sertaneja Pedro, filho do consagrado cantor Leonardo, continua internado na UTI do hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele sofreu um acidente de carro na madrugada do dia 20 na divisa dos estados de Minas Gerais e Goiás. Pedro estava dirigindo após a apresentação de um show e a polícia suspeita que ele tenha dormido ao volante. Na tarde deste sábado (28), Pedro havia apresentado uma sensível melhora, mas continuava em coma.   
60% 
Dos acidentes de trânsito tem fadiga ou sono como uma das causas, diz estudo.
Caminhoneiros usam drogas para não dormir
Muitos motoristas, principalmente aqueles que transportam cargas por diversas horas seguidas, tomam remédios para inibir o sono. Popularmente chamados de “rebites”, eles ajudam os condutores a ficarem até dias sem dormir. Entretanto, os rebites fazem mal à saúde e prejudicam o reflexo dos condutores, facilitando a ocorrência de sérios acidentes.
Polícia Militar tem projeto ‘Acorda Motorista’
Os motoristas que passarem por uma base da Polícia Militar Rodoviária e receberem sinal para estacionar no acostamento não precisam entrar em pânico: a ação pode ser apenas um convite para tomar um cafezinho ali mesmo, com os policiais. A atitude faz parte do projeto “Acorda Motorista”, ação dos policiais para evitarem acidentes causados pela sonolência.
Quando percebem que os condutores estão cansados, eles orientam a interrupção da viagem para uma pausa para um café quente e um pouco de exercício para afastar o sono. Alongar os membros e mexer o corpo ajudam a espantar a sonolência. “Alguns motoristas já são praticamente fregueses de nossa base”, brinca o 1º Tenente Valter Luis Dacêncio, da Polícia Militar Rodoviária de Bauru.
Ele garante não haver nenhuma punição ou represália para os condutores que assumirem estar com sono. “Nossa ação é mais de orientação e ajuda do que de repressão”, afirma Valter.
O tenente também orienta a população a procurar a polícia se perceberem algum motorista dirigindo com sono.
O principal sinal da sonolência ao volante é quando o veículo começa a “comer” faixas da pista, resultado da falta de atenção. Mas a população deve evitar tomar atitudes para acordar o colega de rodovia, como buzinar. Muito menos emparelhar os veículos, pois pode se envolver em um acidente.
Além disso, nem sempre os sinais significam sonolência. “O motorista pode estar sendo vítima de assalto, por exemplo. O melhor é chamar sempre a polícia”, diz o tenente.
Difícil de detectar
Ao contrário da embriaguez, não existe exame para detectar sono ao volante. O sintoma mais comum é o motorista “comer faixas” da pista. Nos acidentes em que o condutor dormiu, geralmente não há marcas de freio na pista.
FONTE: Diário de SP

Caminhoneiros são os trabalhadores que mais morrem no Brasil

 Caminhoneiros são os trabalhadores que mais morrem no Brasil. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social, o setor de transporte rodoviário de cargas ocupa o primeiro lugar em número de acidentes de trabalho fatais. Das 2.712 mortes que ocorreram em 2010, 260 foram no setor. As informações referentes ao ano passado ainda não foram divulgados.
No sábado, 28 de abril, celebra-se o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho. A Organização Internacional do Trabalho aproveita a data para promover também o Dia Mundial da Segurança e Saúde do Trabalho. Nesta sexta-feira, dia 27, os ministérios do Trabalho e Emprego, Previdência Social e Saúde lançaram o Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

Em relação a acidentes que tem como conseqüência incapacidade permanente, ou seja, seqüelas que impedem a pessoa de voltar ao trabalho, o setor de transporte rodoviário de cargas está em segundo lugar com 412, do total de 14.097. O primeiro lugar fica para a construção de edifícios, com 454 acidentes que causam incapacidade permanente.
Em 2010 foram registrados 701.496 acidentes de trabalho, sendo 16.910 só no setor de transporte de cargas. As atividades econômicas de serviços, que englobam o setor de saúde, somam 48 mil registros de acidentes. Contudo, os acidentes neste setor são menos graves do que os envolvendo caminhoneiros e trabalhadores da construção civil.
O acidente que matou 33 trabalhadores canavieiros da Central Energética Vicente e mais três motoristas sem registro da empresa Milton Turismo, em dezembro do ano passado, mostra bem o problema enfrentando pelos trabalhadores do setor de transporte. As Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego da Bahia (SRTE/BA) e de Pernambuco (SRTE/PE) finalizaram nesta semana o relatório sobre o acidente no início desta semana. Os auditores fiscais que investigaram o caso concluíram que o motorista do caminhão Márcio Clenio, que colidiu com o ônibus que transportava os trabalhadores, dirigiu por 14 horas seguidas, jornada que terminou com o acidente. Os motoristas do ônibus, em processo de revezamento, trabalharam por mais de 30 horas sem que houvesse real descanso.
Excesso de jornada de trabalho

De acordo com relatório da SRTE/BA este tipo de jornada que tem sido encontrada com grande freqüência no transporte de carga interestadual "principalmente quando envolve as regiões nordeste e sul-sudeste, como tem sido verificado em diversas fiscalizações do Grupo Especial de Fiscalização do Transporte de Carga, do Ministério do Trabalho e Emprego". O motorista do caminhão foi internado.
Para a fiscalização as causas do acidente estão relacionadas com excesso de jornada de trabalho e falta regulamentação para limite de jornada de trabalho de motoristas de transporte de carga, empregados ou não, e para intervalo mínimo interjornadas para condução de veículos. A falta de registro legal do vínculo de emprego geralmente contribui para que o motorista trabalhe de modo mais intenso e extenso para garantir seu sustento e dos seus familiares, apontam os auditores fiscais.
A viúva de um dos motoristas de ônibus mortos no acidente, disse à Fiscalização do Trabalho que seu marido estava com problemas de saúde, mas que não podia se tratar, uma vez que dependiam daquela renda. O motorista não tinha Carteira de Trabalho assinada e não pode se afastar das atividades, pois não receberia o auxílio-doença do INSS.
Fiscalizações realizadas nas rodovias de Goiás, Mato Grosso e São Paulo pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) constataram jornadas exaustivas, não recebimento de horas extras, desrespeito ao descanso semanal remunerado, pagamento de comissões que incentivam os excessos e uso de medicamentos para inibir o sono. 
Segundo Jacquelinne Carrijo, auditora fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE/GO), as longas jornadas de trabalho se destacaram entre as irregularidades verificadas. Ela aponta os contratos de trabalho como estimuladores de excessos: de jornada, de velocidade e de cargas. "Tudo isso para que haja a entrega do produto em prazos muito curtos. E como esses trabalhadores ganham por produção, quanto mais trabalharem, mais ganharão".
FONTE: Repórter Brasil