Mostrando postagens com marcador Drogas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Drogas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Caminhoneiros colocam vidas em risco com o uso de drogas


A desculpa mais comum é a de que os preços baixos dos fretes pressionam os motoristas a passar mais tempo dirigindo. Outra justificativa frequente é a pressão das transportadoras e dos embarcadores por melhor prazo. Ainda assim, o uso de rebites e outras drogas expõe ao risco quem divide as estradas com estes motoristas, que muitas vezes ignoram o risco de perder a própria vida.
A pressão externa de fato existe. Embarcadores e transportadoras costumam oferecer fretes com prazos impraticáveis, mas bem bonificados se cumpridos. Muitas vezes, a prestação do caminhão ou o sustento da família obriga os motoristas a aceitarem o desafio. A partir daí, o carreto deixa de ser transporte de cargas e passa a ser uma corrida de velocidade, combinada com drogas estimulantes para evitar o sono, a fome e as paradas para descanso.
Enquanto não aparecem as mudanças promovidas pela lei 12.619, que exige horário limitado para a condução profissional de caminhões, drogas como cocaína e maconha circulam facilmente às margens das rodovias nacionais. “Tudo gira em torno do lucro do embarcador. Muitas vezes, para transportar uma carga de hortifrúti, por exemplo, eles querem economizar e não contratam um caminhão frigorífico. Oferecem o frete com um prazo mínimo e o caminhoneiro que precisa, aceita. Se ele não quiser, outro fará”, conta Claudinei Pelegrini, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).
Inibidores de apetite
Os rebites, também conhecidos como inibidores de apetite, são diversas substâncias combinadas, de fabricação clandestina ou da própria indústria farmacêutica. Segundo Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do departamento de medicina ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, essas drogas estimulam a melhora da atenção, a agilidade no trabalho e a vigília, até certo ponto. O perigoso é que, em outra fase, são depressoras. “Isso faz eles usarem mais de um comprimido com o objetivo de manter essa curva em alta, com um efeito maior. Mas as anfetaminas e os rebites possuem uma queda vertiginosa, que leva o individuo ao apagão. Essa fase depressiva chega de súbito, o que é motivo de acidentes Brasil afora”, explica Alves Júnior.
A Polícia Rodoviária Federal promove a cada ano o Comando de Saúde, organizado em todas as capitais do País, para orientar os trabalhadores de transporte sobre riscos e prejuízos causados pelo consumo de substâncias químicas como álcool, rebites e outros tipos de droga. Uma medida pequena diante do tamanho do problema. A limitação de carga horária, de acordo com a lei 12.619, traz uma perspectiva de melhora, com intervalos obrigatórios para os motoristas, afirma Alves Júnior. “Para resolver a fadiga e o sono, a única solução é dormir. Não há cafeína nem nenhum energético que resolva essa necessidade fisiológica do organismo”, resume.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pesquisa diz que maioria de caminhoneiros envolvidos em acidente usava drogas


 Caminhoneiros que batem, tombam seus veículos ou atropelam pedestres nas estradas que conduzem a Minas Gerais guiam sem dormir, turbinados por estimulantes à base de anfetaminas. A proporção é o que indica pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais com condutores de veículos de carga nas Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas), em Contagem, na Grande BH. O trabalho inédito mostra que 50,9% dos condutores de cargas que se acidentaram fazia uso das drogas conhecidas como rebites, cuja importância no universo dos desastres nunca foi estudada a fundo. A estatística é ainda mais alarmante quando se leva em conta que praticamente um a cada dois acidentes em rodovias mineiras no ano passado teve envolvimento de carretas e caminhões, como mostrou a série “Homens-bomba ao volante”, publicada pelo Estado de Minas entre janeiro e fevereiro.Motoristas que tomam anfetaminas se tornam eufóricos, têm a capacidade de julgamento afetada e não dormem por horas a fio. O risco de causar um acidente quando seus reflexos falharem ou de dormirem quando o efeito do rebite passar é 95% maior do que o de quem não consome drogas. A proporção é resultado do cálculo de prevalência feito pela equipe de pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas, coordenada pelo professor e médico-perito Leandro Duarte de Carvalho. “Concluímos que o problema das anfetaminas nas estradas é tão grave quanto o do álcool nas ruas da cidade. E é algo de que o caminhoneiro dificilmente consegue escapar, na situação atual, com a pressão, o prazo de entrega, os prêmios, as comissões, tudo para apressá-lo”, considera o médico.A pesquisa foi feita com entrevistas entre 2008 e 2010 e será apresentada neste ano no 22º Congresso da Academia Internacional de Medicina Legal (IALM), em Istambul, na Turquia. Foram 216 entrevistados, dos quais 51,3% admitiram fazer uso de anfetaminas para dirigir. A CeasaMinas foi escolhida por concentrar motoristas de diversas as estradas do Brasil, que têm um prazo de entrega mais rígido, por transportar quase sempre produtos perecíveis. “É importante que não culpemos apenas os caminhoneiros, taxando-os de irresponsáveis. A condição de trabalho da categoria é muito ruim”, alerta Carvalho. “Numa certa perícia que fiz, o caminhoneiro acidentado disse ter dirigido por 17 horas direto. Não acreditei, porque é um esforço desumano. Solicitei os registros da empresa. Para minha surpresa, os dados confirmaram a alegação do motorista”, conta o médico.O que parecia caso isolado se mostrou quase uma regra depois da pesquisa. Dos entrevistados que consomem anfetaminas, 86,9% afirmaram conduzir o veículo por mais de 13 horas ininterruptas, sendo que 75,8% disseram dormir menos de cinco horas diárias. A frequência de utilização da droga também é alta: 57,1% dos entrevistados afirmaram usar os estimulantes pelo menos três vezes por semana. “Tomo rebite direto para rodar por três dias seguidos. Se não for assim, não dou conta. E é meu próprio patrão quem diz para não esquecer dele (do rebite)”, admite um caminhoneiro de Anápolis (Goiás) que roda 820 quilômetros até Minas para entregar 17 toneladas de abacaxi na CeasaMinas. A rotina já conduziu a acidentes. No último, o efeito do rebite passou e o caminhoneiro dormiu de repente, atingindo a traseira de uma carreta que seguia na frente. Assustado, acordou entre as ferragens retorcidas, sentindo dores lancinantes.A situação que envolve profissionais como ele é tão grave que somente um acordo que envolvesse sindicatos, empresas, fiscais das polícias rodoviárias, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e Departamentos de Estradas de Rodagem poderia resolvê-la, afirma o médico perito Leandro Carvalho. “Os sindicatos não deixam as empresas fiscalizar os caminhoneiros e fazer testes específicos para dosagens de substâncias. Muitas empresas também não se empenham, pois exigem muito dos caminhoneiros”, considera. Enquanto isso, a fiscalização é inócua. “Os bafômetros brasileiros não conseguem apontar quem usou drogas, uma vez que são desenhados para detectar a presença de álcool. Temos de mudar nossa mentalidade. As anfetaminas estão matando nas estradas e equipamentos de testes rápidos para essas substâncias são mais baratos que um etilômetro. Mas falta interesse para motivar uma fiscalização adequada destes condutores”, alerta o especialista.FONTE: Estado de Minas